AlmArdente

De tudo se fala do que possa habitar uma qualquer alma humana. Os amores e desamores, as artes e os vícios, os prazeres e as dores. Intensas banalidades, para miúdos e graúdos.

terça-feira, fevereiro 27, 2007



Há muitos anos atrás, junto aos Bombeiros Voluntários de Cacilhas, havia um muro em que se estendia uma frase que ficou na memória de todos os que por lá passavam:

UMA PANCADA NOS OLHOS FAZ VER

As palavras desapareceram com o tempo. Penso até que o próprio muro foi deitado abaixo. Mas a mensagem ficou.
Há pouco tempo, uma pessoa fez este boneco. Fê-lo com o sentimento de puro entendimento das palavras que nele constam, com a consciência de estar a ver coisas, agora, que não teria visto se não tivésse levado a pancada. Senti revolta. Senti pena dele. Senti uma raiva crescente e um ódio de morte a quem bate assim em quem não merece. Porque esta pessoa, o artista que fez o boneco, não merecia.
Sou de sangue quente, de explosividade emotiva e fulgurante. E quando presencio injustiças, quando sei de vilanias, fervilho de impaciência, clamando por justiça célere e feroz. Implacável.
Mas os ódios e as paixões assomam-se-me à alma com a volatilidade dum fósforo. Por isso depressa me passou a esgana. Serenei. Fiz por compreender as coisas e não quero já armar-me em justiceiro defensor dos fracos. Mas fiquei também a saber que as pancadas da vida, mesmo as mais fortes, aparecem por vezes de onde nunca esperaríamos. Por isso fazem ver. Custa, mas servem de lição. Ensinam a não confiar cegamente, ensinam a manter a margem de segurança necessária, para que não haja surpresas desagradáveis.
Espero que esta pessoa, que conheço como sendo das mais frontais e honestas, que se preocupa com os amigos e faz por ser correcta, ultrapasse depressa o incómodo da situação e dê a volta por cima. E em caso de necessidade beligerante, estarei a seu lado contra o que for preciso e em qualquer altura.
Ser amigo é assim.

4 Comments:

  • At 9:06 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Percebo perfeitamente, mas é o próprio, quem leva a pancada, que tem de abrir os olhos. Não podem ser os outros a ver por ele.

     
  • At 11:19 da manhã, Anonymous su du said…

    O pior é que para pessoas como tu "...de sangue quente, de explosividade emotiva e fulgurante", sempre, quase sempre, a cegueira volta outra vez, e outra vez, e outra vez... porque: "...os ódios e as paixões assomam-se à alma com a volatilidade de um fósforo", ingenuidade ou estupidez? não sei!
    de qualquer forma é bom ter amigos que se revoltam por nós... bj

     
  • At 11:56 da tarde, Blogger panamá said…

    Ai, dio! Mas que introspectivos que andamos! Percebo bem o que sentes, minha jóia! Um misto de revolta pela injustiça mas, e acima de tudo, impotência! Contudo, penso que a vida é uma jóinha e, ela própria, com a riqueza das experiências que nela se vivem e desbundam...mostrará que tudo passa! Tudo o que pode ter uma dimensão desmesurada, passará, com toda a certeza, a perder o impacto e o significado! A vida é mesmo bela, estou em crer! E agora, coisas boas,pleaseeee! Beijos bons:)

     
  • At 10:36 da manhã, Blogger MêCê said…

    SuDu:
    Ingenuidade ou estupidez? Na verdade, talvez um pouco de ambas. Alguma ingenuidade leva-me a precipitações de avaliação - o que é uma estupidez!
    É verdade que os meus primeiros impulsos são de paixão exacerbada. Por isso prefiro sempre esfriar e agir com racionalidade. Assim, acabo por não fazer nenhuma estupidez e troco a ingenuidade por conhecimento, fruto de observação e reflexão.
    Quanto à defesa dos amigos, SEMPRE!

    Panamá:
    Introspecção, injustiças, revoltas, riqueza de experiências... Sim, tudo isso faz uma vida tal como ela é: bela!
    E tudo passa, desde que todas as coisas ocupem o devido lugar na Ordem Universal das Coisas :)
    E se há coisa que vou mantendo, é o discernimento para avaliar os dois lados da questão e encaixar todas as coisas no seu lugar.
    A vida é como um tetris: as cores podem mesclar, desde que tudo encaixe na perfeição ;)

     

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