AlmArdente

De tudo se fala do que possa habitar uma qualquer alma humana. Os amores e desamores, as artes e os vícios, os prazeres e as dores. Intensas banalidades, para miúdos e graúdos.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Crónica dum fim-de-semana desportivo

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Tive sempre grande paixão pelo desporto.
Como praticante e como adepto, não sou dos que participam serenamente na actividade desportiva; antes sou dos que gritam e explodem na emoção da jogada. A jogar futebol, ténis ou outra coisa qualquer, ou a assistir a jogos na televisão, fervo em lampejos apaixonados. Acelera-me o coração e corre-me adrenalina pelo corpo.
Sendo fã do meu clube e das nossas selecções, com particular destaque para a de futebol, também vibrei com os jogos ao longo de muitos anos. Mas com o passar do tempo, aconteceu que deixei de apreciar o futebol. Como alguém que se sente traído e enganado, deixei de acreditar na beleza do futebol e passei a ver cada vez mais o mundo sujo e repugnante que gira em torno do desporto-rei.
De há algum tempo que vinha perdendo o interesse nos jogos da bola. O nosso campeonato é uma farsa, as pessoas ligadas a esse mundo são da mais completa podridão, os jogadores são fracas pessoas e os adeptos seguem-lhes as pisadas. Está tudo inquinado. Continuei a seguir alguns jogos do meu clube e os da selecção, cada vez menos envolvido, até que este fim-de-semana se deu a catarse final. Estou completamente desinteressado do futebol. Sigo o andamento do meu clube, vejo alguns jogos, mas perdi o fervor. Quanto aos jogos da selecção, são-me indiferentes. Não lhes vejo, àquela gentalha que vive daquilo, qualidade suficiente que me faça perder o meu tempo a ver e sofrer com jogos tão medíocres.
Este fim-de-semana assisti ao Portugal x Polónia - futebol.
Este fim-de-semana assisti ao Portugal x Israel - basketball.
Este fim-de-semana assisti ao Portugal x Escócia - rugby.
Dos três jogos, abstenho-me de comentar o de futebol e digo já que o de basket foi um grande jogo. Rápido, emocionante, intenso e com garra. Por acaso ganhámos, mas não era provável. No entanto, ficou demonstrada a boa atitude dos jogadores e a sua força de vontade. Apostaram tudo e venceram.
Quanto ao jogo de rugby... ainda não estou em mim, e toda esta crónica é apenas pretexto para falar sobre esta partida. Foi lindo! Foi um espectáculo, foi fenomenal, foi como se Portugal tivésse ganho um novo fôlego durante os 80 minutos de jogo. Entrámos neste Campeonato do Mundo como a primeira equipa amadora de toda a história do rugby, a ser qualificada para um Mundial. Entrámos na prova, sabendo que provavelmente vamos perder todos os jogos. Os nossos jogadores não têm treino nem experiência nem incentivos nem condições como todos os outros que lá estão. E no entanto... honraram a camisola!
Portugal estreou-se num Campeonato do Mundo com uma derrota, e ninguém quer saber do resultado. Para a história fica o primeiro ensaio marcado pela nossa equipa, a luta por todas as posses de bola, a atitude aguerrida, o espírito de união e a entrega total ao jogo, mesmo sabendo que a derrota era garantida. Os nossos jogadores foram. . . . . . . . . . G R A N D E S !
Sempre gostei de ouvir o nosso hino nos jogos de futebol, mas sempre me envergonhei ao ver os jogadores a fingir que o sabem cantar. Hoje, quando filmaram os nossos jogadores de rugby a cantar "A Portuguesa", tudo tomou outra dimensão. Havia o antes e haverá o depois. Nada será igual. Quem viu na televisão esse momento único que foi o nosso Hino Nacional cantado a plenos pulmões, com lágrimas nos olhos dos jogadores, nuncá mais verá um jogo de futebol da mesma maneira. Talvez nem veja mais futebol.
Eu vou continuar a seguir todo o desporto, como sempre segui. Apenas com outro olhar.
E só por curiosidade: o Melhor Jogador da Partida do Portugal x Escócia, foi um português (Vasco Uva) e não um profissional escocês. Um português que é advogado, trabalha como toda a gente, não tem ordenados milionários nem exige prémios de jogo livres de impostos, e que treina por amor à camisola antes e depois do seu horário de trabalho. Como todos os seus companheiros de equipa.
Futebol? Isso é pra meninos...



5 Comments:

  • At 11:54 da manhã, Blogger Branca said…

    Permita-me o reparo: o futebol é um jogo de cavalheiros jogado por brutos. o rugby é um jogo de brutos jogado por cavalheiros.
    Concorda?

     
  • At 3:06 da tarde, Blogger MêCê said…

    É uma bela máxima, sim senhora :)
    Concordo. E quem assiste a uma e outra modalidade, observando não só os jogos mas tudo o que os rodeia, não pode deixar de concordar.

     
  • At 10:03 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Deixemos os desportos... de volta à cultura:
    No filme "os fantamas de Goya" aparece um sósia do Diab'Alma...
    Bom, pelo menos faz lembrar. Deve ser qqr coisa no Diab'sorriso...
    Acho q vale a pena ver:

    http://es.movies.yahoo.com/i/invisibles/photos-2110673-2110684.html

    (Javier Bardem)
    ...cuidado...vale a pena ver a semelhança mas não o filme!Lol.
    Alguém concorda?

     
  • At 10:39 da manhã, Blogger MêCê said…

    Não confirmo nem desminto :)

     
  • At 10:44 da tarde, Blogger Tremoçonauta said…

    O sindicato de operários pró-esquerda anti-capitalista e imperalista radical exige o regresso do camarada AlmArdente aos posts e ao combate dos interesses imperialistas que poem em causa todo os alicerces do comunismo leninista. A revoluçao nao pode parar!

     

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